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Trainer: competências de um bom profissional Simone Diniz |
São largamente conhecidos os benefícios que uma atividade física regular
traz a indivíduos de qualquer faixa etária, benefícios esses que excedem à dimensão
física e biológica, abrangendo também aspectos psíquicos e sociais.A procura por uma melhor qualidade de vida fez surgir inúmeros profissionais ligados à área do fitness e do bem-estar, e iremos destacar um deles em especial: o Personal Trainer. Antes restrito a atletas de elite, artistas e atrizes, esse profissional tem aumentado sua participação em inúmeros segmentos, ganhando destaque na mídia, sendo retratado inclusive em tiras de quadrinhos onde assume identidades nem sempre elogiosas. Ele aparece como um esculpidor de corpos, ou um conselheiro, nunca como um profissional sério, que pensa, planeja, avalia e não apenas executa. Mas quem é ou deveria ser o Personal Trainer? Qual a essência do treinamento personalizado? Treinamento é um processo repetitivo e sistemático, composto de exercícios progressivos que visam o aperfeiçoamento do desempenho ou de uma capacidade física. Logo, percebe-se claramente que treinamento vai além de aulas particulares de ginástica. O treinamento diz respeito a um programa, a uma prescrição de exercícios para determinado fim, acompanhado por avaliações periódicas para detectar o progresso do aluno. O fato de ser personalizado, corresponde a um dos princípios do treinamento desportivo, que diz respeito à individualidade. Não se pode fazer qualquer coisa de qualquer um, ou seja, os fatores genéticos dão grande contribuição no patamar alcançado pelo aluno nas diversas capacidade físicas, e não se deve prometer o que não pode ser cumprido. As pessoas diferem em seus graus de aptidão, habilidade, interesses, respostas e adaptação aos diferentes exercícios, sendo portanto indispensável uma correta anamnese e avaliação precedentes ao início do trabalho. Personalizado, também se refere aos objetivos e necessidades individuais. Quem é meu aluno? Qual seu histórico de atividades físicas, lesões, patologias? Qual o fator a ser enfatizado no treinamento? O que meu aluno gosta de fazer e o que não gosta? Essas questões tornam-se cruciais na medida em que esse conhecimento prévio permite conseguir uma maior aderência ao treinamento. Já sabemos o quão difícil é, para um indivíduo sedentário, a mudança de hábitos no que diz respeito à atividade física. Como então obrigá-lo a praticar uma atividade de que ele não gosta? O melhor a fazer é partir de seu interesse e, só então, tentar casá-lo com a atividade que melhor atenda às suas necessidades, criando dessa forma um ambiente motivador. O segundo princípio do treinamento é o da sobrecarga, ou seja, oferecer ao aluno uma carga acima de seu limiar de acomodação, já que o organismo humano se adpta facilmente aos estímulos que portanto devem ser crescentes. O princípio da sobrecarga, importantíssimo para a evolução de qualquer treino, pode ser manipulado a partir de diversas variáveis, e é nesse aspecto que ocorrem erros do profissional despreparado, que pode subestimar ou superestimar a capacidade de seus alunos, provocando ou a estagnação de sua condição física ou lesões que podem levar ao abandono do treinamento. A sobrecarga pode ser variada a partir da freqüência do estímulo (número de aulas/treinos num intervalo de tempo), volume (quantidade de repetições, ou tempo de execução, ou distancia percorrida), intensidade (carga, velocidade) ou mesmo a variação dos exercícios e do ambiente. Além desses parâmetros, outros também interferem na sobrecarga de um treino, como a ordem dos exercícios e o tempo de descanso entre eles. Como se pode perceber, todos esses itens conjugados tornam as possibilidades de treinamento enormes, onde tem destaque o trabalho cuidadoso do Personal Trainer na condução da evolução ou alteração do treinamento, dependendo das respostas de seus alunos. O terceiro princípio que caracteriza um treinamento é o da especificidade, que nos diz que as adaptações decorrentes do treinamento são específicas em relação ao tipo de atividade praticada e ao volume e intensidade desses mesmos exercícios. Isso nos remete a perguntas do tipo: O que é necessário melhorar em meu aluno? Um treinamento envolvendo caminhada para um idoso sedentário certamente trará benefícios para sua aptidão cardiovascular, mas não trará melhoras para um indivíduo já condicionado para esse tipo de exercício, que necessitará de uma intensidade maior, característica de um trote ou corrida. E pensando nesse mesmo idoso, será que a caminhada será suficiente para reverter perda de massa muscular (sarcopenia), ou perda de flexibilidade? É necessário que o treino seja diversificado de forma a atender aos diversos componentes da aptidão física para a saúde, como a condição cardiovascular, força muscular, flexibilidade e composição corporal. O último princípio do treinamento relata sobre a reversibilidade, que implica que todos os benefícios advindos da prática de exercícios em todos seus aspectos, serão revertidos com a suspensão dos estímulos, ou seja, com o término do programa de treinamento. A atividade física, pode ser considerada um grande promotor não-medicamentoso da saúde, mas para isso sua prática deve ser constante. A partir de agora, tendo em mente todo o panorama a ser abarcado por um Personal Trainer, certificamo-nos de que sua tarefa não é fácil. Esse profissional deve ser grande conhecedor de biomecânica, de modo a fazer a escolha adequada dos exercícios levando em conta fatores como limitações dos indivíduos que, às vezes, inviabilizam determinada escolha. Os mesmos exercícios que são seguros para um aluno, podem ser contra-indicados para outro. É fundamental conhecer anatomia, de modo a saber trabalhar os principais grupamentos musculares de modo equânime, além de verificar encurtamentos e desequilíbrios que prejudicam a postura e a correta execução dos exercícios. Conhecer fisiologia de modo a propor atividades dentro de uma intensidade que corresponda à capacidade de seu aluno, evoluindo até obter um condicionamento adequado. Por fim, deve ser um excelente comunicador, gostar de pessoas , sentir empatia por elas, saber ouvi-las e interpretar seus objetivos de modo a traçar a melhor metodologia de trabalho. O Personal Trainer é um profissional da saúde que compartilha seu trabalho com outros profissionais como médicos e fisioterapeutas numa assistência multidisciplinar e, portanto, deve dialogar com eles na condução de seu trabalho. Sendo assim, a formação superior em Educação Física é fundamental para um profissional que atenda a essas qualificações, num mercado promissor, mas também competitivo e exigente.
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