• Osteoartrose

Dr. Lafayette de Azevedo Lage

A osteoartrose é a doença articular mais comum em todo o mundo, pois a maioria das pessoas com mais de 65 anos de idade e 80% daquelas com mais de 75 anos tem alguma evidência da doença. Como o próprio nome diz, artrose significa o desgaste da cartilagem. A cartilagem é um tecido branco e liso que recobre as pontas dos ossos que se articulam e daí o nome de articulação. Quando a cartilagem deixa de ser lisa, macia e uniforme inicia-se o processo da artrose o qual pode ser devido a inúmeros fatores e sentimos ao exame físico a crepitação da junta semelhante à presença de areia dentro da articulação afetada.

A destruição da cartilagem articular, por processos bioquímicos e biomecânicos é a essência da fisiopatologia da osteoartrose. O típico paciente com osteoartrose ou osteoartrite é um indivíduo de meia-idade ou idoso, com queixa de dores nos joelhos, quadris, mãos ou coluna, as articulações mais acometidas por esta doença. Freqüentemente, o paciente apresenta dor e algum grau limitante de função da articulação acometida.

Os sintomas se apresentam insidiosamente. A dor é caracteristicamente do tipo mecânico, diminuindo com o repouso e aumentando com a movimentação da junta afetada. Dor no repouso ou piora noturna são sinais de osteoartrite avançada. A rigidez matinal, com duração de menos de 30 minutos, é um sintoma comum (nos pacientes com artrite reumatóide essa limitação costuma durar mais de 45 minutos).

Punhos, cotovelos e ombros são articulações pouco acometidas pela osteoartrite, embora haja casos de doença generalizada, menos freqüente. Pacientes com osteoartrite de quadril geralmente queixam-se de dificuldades de deambulação, calçar as meias (nos casos mais avançados), enquanto pacientes com acometimento de joelhos queixam-se de instabilidade da junta, principalmente ao descer escadas. A osteoartrite das mãos pode implicar menor destreza manual. Quando a doença afeta as vértebras cervicais, costuma provocar dor. Juntas que apresentem inflamação intensa podem indicar outra doença, como gota ou artrite séptica, por exemplo.

Os exames subsidiários de imagem e de sangue podem ser necessários para um melhor estadiamento da gravidade da doença. Estes resultados muitas vezes influenciam muito o ortopedista ou reumatologista a tomar uma conduta mais agressiva. Por exemplo, no caso de joelho ou joelhos varos ou valgos (desviados para fora ou para dentro em X, respectivamente); - se o desvio estiver fora do padrão de normalidade pode ser necessária uma correção cirúrgica para corrigir o alinhamento MESMO QUE O PACIENTE NÃO SINTA DOR!

Infelizmente o paciente geralmente não procura o médico quando nada sente e geralmente não aceita uma cirurgia de alinhar uma articulação caso ele não sinta nada. Assim o resultado será trágico uma vez que haverá um desgaste mais acentuado da cartilagem no local de sobrecarga da articulação o qual passará a ser doloroso depois de muito tempo e, geralmente, tarde para tentar alinhar a articulação que, nestes casos, acaba sendo substituída por uma prótese.

 

Achados Clínicos na Osteoratrite
Sintomas Dor articular
Rigidez matinal que dura menos de 30 minutos
Instabilidade da articulação
Perda de mobilidade
Sinais Aumento de volume das articulações afetadas
Limitação da mobilidade
Crepitação à mobilização
Dor à mobilização
Deformidades articulares
Padrão de envolvimento articular Axial coluna cervical e lombar
Periférico articulação interfalangeana distal, interfalangeana proximal, articulação carpo-metacarpo, joelhos, quadris
 

Um traumatismo de alta energia, como um acidente automobilístico, um atropelamento ou mesmo um entorse do tornozelo (onde todo o peso do corpo gira sobre o tálus, osso que fica acima do calcâneo e abaixo da tíbia e fíbula) pode ferir as células cartilaginosas locais (condrócitos) e sua matriz. Portanto, mesmo um jovem pode evoluir para uma artrose pós-traumática. Infelizmente, em alguns casos pode ocorrer a destruição da matriz cartilaginosa com morte dos condrócitos sem possibilidade de renovação dos mesmos levando a uma condrólise (condro = cartilagem; lise = destruição), seguida de muita dor e rigidez articular permanente. Nestes casos a única solução para retorno à função da articulação seria uma cirurgia de artroplastia (artro = artiulação; plastia = plástica, troca) com a colocação de uma prótese.

Existem próteses para praticamente todas as articulações (tornozelo, joelho, quadril, disco intervertebral, dedo, punho, cotovelo, ombro). É uma conduta de salvamento do movimento porém, com uma durabilidade limitada dependendo da "quilometragem" uma vez que as próteses se desgastam devido ao atrito. É por isto que geralmente indicamos prótese para pessoas de mais idade pois elas não fazem uma "quilometragem" tão alta quanto os jovens. Felizmente, os materiais das próteses e o "design" evoluíram muito, existindo já hoje em dia próteses muito boas para os pacientes jovens e ativos como é o caso das próteses de superfície para o quadril ("resurfacing") que permitem uma boa qualidade de vida com a máxima preservação do estoque ósseo conforme ilustra a figura 2, ao contrário da figura 1, que é de uma prótese convencional de quadril onde se corta a cabeça do fêmur diminuindo muito o estoque ósseo, pois a cabeça do fêmur e o colo do fêmur foram cortados ao contrário da prótese de superfície ou recapeamento onde apenas se “desgasca” a cartilagem gasta e coloca uma capa de metal sobre a cabeça do fêmur como se fosse um a coroa de dente a qual irá se articular com uma calota também metálica (ambas feitas de uma liga de cromo- cobalto - molibdênio de altíssima resistência e super-polidas). O atrito entre a coroa (cabeça do fêmur) e a calota (acetábulo) é minimizado pelo líquido sinovial que age como um óleo lubrificante e continua felizmente sendo produzido e renovado constantemente pelas cápsula sinovial. Na próxima semana continuaremos abordando o assunto de artrose nos jovens e adultos. Caso queiram enviar perguntas acessem o site http://www.clinicalage.com.br/ e digite sua dúvida no fale conosco sempre informando sua idade, peso e altura caso seja alguma dúvida pessoal.

 

figura 1-
Desenho e RX de prótese de quadril convencional

art_osteoartr_02.jpg (50467 bytes)art_osteoartr_01.jpg (25036 bytes)
figura 2–
Desenho e RX de prótese de recapeamento do quadril bilateral (prótese de superfície)


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Quando decidir por realizar uma prótese de quadril ou joelho?

A artroplastia do quadril e joelho revolucionou a vida de muitos pacientes. Mais de 500 mil cirurgias são feitas por ano em todo o mundo. Embora este número seja alto, ele continua aumentando. Freqüentemente chamada Artroplastia Total do Quadril ou Joelho, estas operações tornaram-se disponíveis para um grande número de pacientes. Quando foi introduzida como um novo procedimento, esta prática era recomendada para pacientes com idade superior a 65 anos, mas agora pacientes mais jovens fazem esta cirurgia e com sucesso exemplar.

A transformação na vida de uma pessoa com uma dor imobilizante para uma vida de mobilidade feliz é hoje totalmente aceitável. O paciente que aguarda uma artroplastia de quadril e ou joelho experimentará um declínio enorme em sua qualidade de vida. A dor pode ser muito debilitante e dominar cada aspecto da vida diária. O sono pode não ser reparador, o humor também estará alterado, onde qualquer dissabor ou desentendimento pode gerar brigas e o tempo de afastamento do trabalho pode colocar seu emprego em jogo. Porém, com uma artroplastia de quadril ou joelho bem sucedida, tudo isto pode ser revertido. Como médico, notei que o benefício do paciente já começa com o desaparecimento da dor, mas a família toda se sente melhor com o resultado! A satisfação do paciente pela melhora da dor e por poder voltar a caminhar é muito grande. Mais de 95% dos pacientes afirmam que eles se sentem extremamente felizes após sua cirurgia.

Há muitas razões para se fazer uma artroplastia do quadril ou joelho. Talvez a mais comum seja a osteoartrite, conhecida como doença degenerativa da articulação. Como a expectativa de vida média das pessoas aumentou, conseqüentemente mais pessoas necessitam desta cirurgia. Em quase todos os países existem longas filas de espera para este tipo de procedimento. Embora a artroplastia seja um procedimento de grande porte, as chances de complicações são mínimas. Como as próteses são feitas de material não humano, algumas artroplastias podem falhar após ficarem no corpo por muito tempo. Entretanto, o tempo de vida de dez anos da maioria dos modelos é excelente e a melhoria na qualidade de vida durante este período é notável. Embora a duração de artroplastias além de 15 a 20 anos já sejam relatadas, é mais seguro afirmar que a média de duração de uma artroplastia é de 10 anos.

Uma vez que ela apresente falhas, é possível, em tese, realizar-se outra artroplastia, que é chamada de cirurgia de revisão. A cirurgia de revisão é mais complicada que a cirurgia inicial (geralmente chamada de artroplastia primária). Entretanto, como o número destas cirurgias vem aumentando, surgiu uma sub-especialidade desta cirurgia de revisão do quadril e joelho. Isto está associado à instrumentação especializada, pesquisas detalhadas do pré-operatório e a facilidade de banco de ossos para transplantes. A artroplastia de revisão pode não ser bem sucedida como a artroplastia principal e, se possível, é melhor evitá-la. Apesar da popularidade e do sucesso da artroplastia do quadril e joelho, os pacientes normalmente recebem pouca informação sobre a cirurgia no período pré-operatório. Isto contraria o direito ético óbvio do paciente sobre o que esperar. Por exemplo, a maioria dos pacientes não fazem fisioterapia pré-operatória ou mesmo não adequação do ambiente antes da cirurgia, isto é, adaptação de barras de segurança no banheiro, retirada de tapetes para evitar quedas, etc. Estes simples detalhes podem fazer muita diferença no período pós-operatório pois o paciente e sua família terão mais confiança e segurança sem contar o fato que a recuperação fica muito facilitada uma vez que o paciente sabe o que vai acontecer!

Qualquer pessoa deve poder perguntar as questões relacionadas sobre a cirurgia. Em primeiro lugar porque uma artroplastia de quadril deve ser feita? Se deve ser feita, que tipo de técnica específica será utilizada? Quais as chances de complicações? A lista de perguntas é interminável, mas a informação disponível normalmente é oferecida pelo profissional que a irá operar.

 

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